Prestigie o Cinema Nacional: GARAPA de José Padilha

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DO BLOG CINEMA, CORTE E COSTURA

“Garapa” (2009) do diretor José Padilha (Tropa de Elite, Ônibus 174) é um documentário em preto-e-branco que fala sobre uma violência  que assola milhares de pessoas em nosso país e no mundo: a fome. Padilha dedicou-se durante cinco anos à produção desse documentário, acompanhou de perto a rotina de três famílias cearenses em situação de “insegurança alimentar grave”, um problema que atinge mais de 10 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) – 10 milhões que integram os cerca de 950 milhões de pessoas no mundo inteiro que sofrem de fome, segundo dados da ONU. Padilha tomou conhecimento do drama da fome no Nordeste e do uso da garapa (nome corriqueiro dado à mistura de água e açúcar servido como alimento) através de conversas com o Ibase (com o qual trabalhou ao fazer Ônibus 174).

“Quis fazer um filme o mais simples possível, com o mínimo de alegorias e de informações que fossem além da história daquelas famílias”, disse Padilha.

“Filmei como se fosse um documentário sendo feito em 1930. Com lente fixa, não filmei com zoom, em preto-e-branco, não tem música, é todo com câmera na mão”, disse.

“Acho que dá a idéia, para quem está olhando, de que lá, estou vendo um troço em preto-e-branco, deve ter sido muito antigamente. E aí o cara olha e vê que é hoje.”

“Mas não é sobre isso, como algumas pessoas que não viram o filme começaram a falar; é simplesmente sobre como uma família com fome sobrevive no dia-a-dia e só; não é político, apenas mostra naturalmente como o governo está presente, pois os personagens falam disso”

(Fonte: Cinema Terra)

Em sua exibição na 59º Festival de Berlim o filme causou forte impressão ao mostrar de maneira nua e crua a fome que assola famílias inteiras no Nordeste Brasileiro. Além desse ciclo vicioso que é a fome, o documentário também aborda sobre o programa FOME ZERO.


“José Padilha é um cineasta in – inquieto e inconformado com a realidade que o cerca, a ansiedade à flor da pele. Está sempre a mil por hora, como se estivesse o tempo todo dirigidno um filme sem começo nem fim, com um roteiro imaginário na cabeça, em busca de um final feliz que nunca chega. Tem sede e fome de justiça, não se conforma em ver nada errado”, escreveu o jornalista Ricardo Kotscho na revista Brasileiros. Agora o diretor de Tropa de Elite e Ônibus 174 retorna em seu terceiro filme, Garapa, apostando mais uma vez na imensa potencialidade do cinema como um instrumento de conscientização social. A impressão que fica é a de que ele confia no cinema como um modo de construir uma empatia, uma identificação e uma comoção do espectador com as realidades sociais que nenhum livro, relatório ou estatística é capaz de transmitir.

(Fonte: Cineclube Azouganda)

Sabemos que a fome e a miséria existem, mas coisas assim não basta apenas sabermos que existem, é preciso senti-las. E a partir do momento que nós realmente as sentimos é que passamos a entender, a conhecê-las. Garapa é um filme que nos faz sentir tudo isso e a refletir sobre., é um filme, pretensamente, realista que nos faz compartilhar cruelmente da experiência da fome.

Ísis Alves de Farias

Trailer: