Bagunçado

Tudo  anda meio bagunçando por aqui. A gente acha que colocar as coisas lá dentro do armário e esquecer delas resolve tudo, mas não resolve. Por que quando você abre o armário, toda aquela bagunça cai sobre você feito uma avalanche de lembranças, mágoas, erros, utopias ,  sentimentos e tudo mais que você tenha guardado ali para esquecer. Não dá pra fugir. A vida sempre fará questão de te (re)lembrar de tudo isso em algum momento.

Não sei exatamente porquê. Mas hoje eu abri esse armário e tinha muito mais coisa lá do que eu me recordava. Não sabia que havia guardado tantas coisas. E agora o que faço com tudo isso? Não sei nem por onde começar. Minha vontade era deixar tudo bagunçado como está. Mas eu sei que se eu fizer isso alguém vai acabar tropeçando ou esbarrando onde não deve. Alguém vai acabar guardando algo no lugar errado. Alguém vai acabar levando algo que não lhe pertence…alguém vai acabar se ferindo num caco de vidro espalhado pelo chão.

É hora de arrumar a casa, cada coisa em seu devido lugar…

Um sintoma. Uma bula. Um remédio…

Eu não tava muito bem hoje. Pensei que pudesse ser alguma coisa. Talvez um pouco doente. Tinha uma bula lá na minha gaveta, mas deixei lá, como um sentimento que a gente guarda num canto bem escondido pra não lembrar que aquilo existe, até chegar a hora certa de lembrar  que está lá de alguma forma.

Daí uma das amigas liga no final do dia pra saber porque eu estava em um determinado lugar quando eu estava simplesmente voltando pra casa…o melhor é que ela não acreditava e insistia…então me dei conta que não sou a única que ando por aí vendo meus amigos e amigas por todos os cantos da cidade. Lembro de uma vez numa pizzaria em que abracei uma menina e perguntei como ela estava, crente que era uma amiga minha que eu não via a tempos!! Levei uns cinco minutos pra perceber que não era ela. Sim, CINCO minutos! [risos] Dá pra acreditar?

Isso é um sintoma, de que a vida anda corrida demais para que possamos dar atenção aquilo que realmente importa. A vida passa rápido demais e se não nos dermos conta e tomarmos cuidados, a gente perde muita coisa pelo caminho porque não soubemos aproveitá-las…Falta tempo pra ver os amigos como gostaríamos, tempo pra dar muitas risadas e muitos abraços. Se é pra ter rugas, que seja de tanto rir com os amigos e com a família. Ficar velho sem ter vivido é o pior dos castigos.

Sabe aquela bula lá na minha gaveta? Hoje eu peguei para ler e tinha minha letra, era um papel meio velho, meio amassado, meio amarelo que dizia: “veja mais os amigos, ria mais, ame mais, abrace mais, seja feliz.” Não lembro quando escrevi…mas acho que eu já pressentia que quando esse sintoma chegasse, embora ele não tenha uma cura definitiva e permanente, eu só iria precisar de uma bula e um remédio.

E qual é sintoma? Bem, acho que a essa altura você já deve ter descoberto…se chama SAUDADE.

Falta

Falta criatividade. Ela se perdeu. Por onde eu começo? Tenho estado nessa estrada a muito tempo, tempo demais para sentir falta das coisas, das pessoas, dos lugares… essa vida de andarilho, nunca foi a minha cara. Mas tem sido necessária. Acabei largando minha inspiração em algum canto por aí. Já sinto falta daqueles amigos que via todos os dias, das risadas constantes, das situações nosense e da amizade sem compromisso  e sincera.

As vezes sinto falta daquela menina tagarela que ria de tudo e onde nada era mais importante do que simplesmente viver. Mas confesso que ultimamente o que mais se faz presente na minha vida é a falta. Falta de tudo. De uma boa música pra ouvir, de um ombro amigo pra chorar,  de uma conversa minimamente honesta, de um sentimento verdadeiro…não sei se sou eu ou se são os outros, mas fico com a impressão de que as pessoas se acostumaram a serem “vazias”.

As vezes sinto falta da minha juventude. Não da idade, mas da vontade de fazer e acontecer e principalmente de compartilhar com os amigos porque você queria que eles compartilhassem da sua felicidade e não porque você quer a maior quantidade de curtidas no Facebook.

Sinto falta. Sinto falta de escrever sem obrigações…de amar sem obrigação, de sorrir sem obrigação e principalmente de ser feliz sem obrigação…

It’s over.

E de repente se foi. Tão rápido quanto voltou atrás , se foi. Não disse nada, nem mesmo um “Adeus”. Disse que nunca deixaria ir e que não desistiria fácil. Talvez eu tenha me enganado…mais uma vez. Lutou o quanto pode e desistiu quando teve chance. Talvez tenha encontrado novos hobbies, outras preocupações, outros amores, algo mais importante…não há nada pior do que ter esperança em algo, mesmo quando se sabe que está tudo acabado.

De quem é o erro: daquele que tem esperança ou daquele que dá esperança? Nunca saberei ao certo. Não há nada pior do que ter esperança quando o que existe são apenas promessas de um sonho bom. Talvez o erro esteja em acreditar…acreditar que tudo isso é possível.  E fica claro como água que segundas chances não importam: as pessoas nunca mudam. Não importa o quanto você acredite e deseje que isso possa acontecer.

Devia ter encaixotado os sonhos e partido. Eu e minha eterna mania em acreditar em sonhos tolos…it’s over.