Nunca mais seremos os mesmos…

 “There’s no lessons here. There’s no happy ending. He’s just gone…” – Sue Sylvester (Glee 5×03 The Quarterback #RememberingCory #FarewelltoFinn)

Algumas coisas mudam a gente para sempre. Uma pequena frase, um episódio da sua série favorita, a fala de um personagem num filme, um gesto, um sorriso, aquele amor que você não consegue compreender, mas que você de alguma forma sabe que é preciso deixá-lo ir…mesmo sem entender muito bem porquê. Você apenas sabe.

Sabe também que nada dura pra sempre. Que somos todos finitos. Que nem sempre existem finais felizes. Que talvez alguns de nós nunca encontre a outra metade da laranja, que alguns de nós nos perderemos no caminho sem poder dizer adeus. Sabe que é preciso dizer mais “eu te amo”, dar mais abraços, mais risadas, mesmo quando isso parece impossível.

Acontece que a gente pega toda essa “sabedoria” e joga num baú, tranca a sete chaves, joga no mar e acredita que a vida é pra sempre, que temos todo tempo do mundo, que o amanhã sempre chega e que a esperança nunca morre. A verdade é que, no final das contas, conscientes ou não, quando abrirmos aquele baú nós nunca mais seremos os mesmos. Nunca mais veremos a vida da mesma maneira, mesmo que tranquemos novamente o baú e o joguemos no mar outra vez…

Recomeçar

E ele só pode segurá-la.

Quando não houve mais chão, nem o céu para onde voar de volta.

Ele prometeu. E segurou o quanto pode. E foi forte o quanto pode. E resistiu o quanto pode.

Mas no final ele quebrou. Junto com todas as promessas que fez.

E ela caiu.

Caiu em algum lugar entre o céu e o inferno que cada um guarda em si.

Num lugar longe demais, e escuro demais, onde alguém pudesse alcançar.

E ela dormiu.

Um sono tão profundo, onde o beijo mais sincero não pode despertá-la.

E muitos vieram salvá-la.

E os anos passaram, e as estações mudaram. E ela continuou lá.

Então, ela acordou.

Num mundo que não era o mesmo que ela conhecia.

Nem era tão bonito quanto conhecia.

Nem era…o mesmo.

E assim, com toda a mudança que os anos trouxeram,

E que as estações moldaram,

Ela se transformou.

E criou asas,

Costurando em sonhos.

E seus olhos brilharam uma vez mais.

Ela estava voando…

…de volta para casa.

Bagunçado

Tudo  anda meio bagunçando por aqui. A gente acha que colocar as coisas lá dentro do armário e esquecer delas resolve tudo, mas não resolve. Por que quando você abre o armário, toda aquela bagunça cai sobre você feito uma avalanche de lembranças, mágoas, erros, utopias ,  sentimentos e tudo mais que você tenha guardado ali para esquecer. Não dá pra fugir. A vida sempre fará questão de te (re)lembrar de tudo isso em algum momento.

Não sei exatamente porquê. Mas hoje eu abri esse armário e tinha muito mais coisa lá do que eu me recordava. Não sabia que havia guardado tantas coisas. E agora o que faço com tudo isso? Não sei nem por onde começar. Minha vontade era deixar tudo bagunçado como está. Mas eu sei que se eu fizer isso alguém vai acabar tropeçando ou esbarrando onde não deve. Alguém vai acabar guardando algo no lugar errado. Alguém vai acabar levando algo que não lhe pertence…alguém vai acabar se ferindo num caco de vidro espalhado pelo chão.

É hora de arrumar a casa, cada coisa em seu devido lugar…

Espera

Algo está errado…parece faltar certeza do que foi, do que é e do que será.
Falta muita coisa, mas ao mesmo tempo não falta nada.
Está tudo ali. Tudo em seu lugar. Tudo o que queria. Tudo o que conquistou.
Todos os amigos, a família e os amores.
Todos os sonhos…
Enfim realizados.

Mas ainda assim o simples ato de respirar se tornou algo tão dificil
Que beira ao sufocante.
E no seu intimo sabe
Que não há tempestade sem estragos.

E assim, busca em cada olhar, cada abraço
Um abrigo.
Para as mudanças que virão, sem pedir licensa.

E espera em cada aperto de mão
Aquele que vai lhe segurar firme
Quando lhe faltar o chão sob os pés.

E espera em cada palavra
Um conforto
Para as perdas que o tempo trará
Sem qualquer aviso prévio.

E espera em cada gesto
O alento
Para os momentos de incerteza cruéis
Que surgirão

Mas também espera em cada sorriso
A calmaria
Que vem depois de toda tempestade
E que cicratiza a alma
Apesar de todos os estragos.

Que todos os dias nos lembremos como isso tudo começou.

Que tudo não se resuma em apenas um beijo de bom dia.

E que dormir junto não seja apenas um hábito.

 

Que todos os dias lembremos que não importa o quanto o sentimento seja sincero,

Em algum momento magoaremos um ao outro.

De uma forma inesquecível, beirando ao imperdoável.

Mas que, se não pudermos perdoar, que ao menos deixemos ir.

 

Que todos os dias possamos entender que se a vida não foi ou não é

Exatamente o que planejamos, que nós não seremos infelizes por isso.

Felicidade é um ponto de vista. Basta saber para onde olhar.

 

Por fim, que todos os dias quando nos dermos as mãos lembremos:

Que estar lado a lado não é simplesmente caminharmos juntos.

É vivermos, é sonharmos, é querermos juntos.

E ainda assim entender que é, também, voar sozinho em sentidos diferentes.

E no final do dia voltar…para vermos juntos o sol se pôr.

Eu sabia…

Eu olhei pra ele. E eu sabia…

Algumas coisas não existem explicações. Você pode procurar o quanto quiser. Não encontrará. Eu aprendi isso cedo, é bom, mas as vezes gostaria de não saber. Por quê? Porque quando as coisas dão errado, quem irá me dizer “Eu te avisei” serei eu mesma. Errar é humano. Persistir no erro, é burrice. E daí dá aquela raiva interior do tipo “porque eu fiz/deixei acontecer isso se eu sabia onde iria terminar?” E alguém vai me dizer, “você não tinha como adivinhar” e “não é sua culpa.” É sim. Quando a gente sabe exatamente onde está se metendo, ainda que não saiba explicar como.

Eu olhei pra ele. E eu sabia…

Nada seria como antes. Talvez eu vá ficar feliz, talvez eu vá me arrepender amargamente. Talvez eu esteja escrevendo aqui, pra amanhã ou depois (ou quem sabe daqui a alguns anos) eu lhes conte o que aconteceu. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho essa sensação de que tudo está mudando…e que eu serei atingida quando todas essas mudanças chegarem, quando todas as máscara caírem e todos estarem em seus devidos lugares…

Eu olhei pra ele. E eu sabia… que de alguma forma ele irá mudar minha vida para sempre. Se de uma maneira boa ou ruim, eu não sei. Também não sei quando será. Apenas sei que irá…

Irá mudar tudo o que eu conheço…

Uma canção para…

O tempo parece congelado, um turbilhão de pensamentos e lembranças na cabeça…e uma vontade imensa de escrever uma canção…mas faz tanto tempo que não faço isso…acho que já perdi o jeito…esqueci alguns versos, os perdi no vento, no tempo e na alma.

Acho que falta um pouco daquele sentimento que enche todas as músicas…e que você não sabe ao certo descrever qual é. Apenas consegue senti-los em cada nota, na melodia e na voz de quem canta. Fico cantarolando pequenos versos de músicas perdidas na alma. De onde elas vem, para onde elas vão…para quem elas são…

Vou escrever uma canção para aliviar a mente e o coração…não dá pra ficar com tudo isso guardado, mas também não adianta escrevê-las e engavetá-las e… bem…essa é minha especialidade a um bom tempo…talvez seja hora de cantá-las.

Acho que é hora de fazer uma canção…cansei de ouvir aquelas velhas músicas sobre aqueles que partiram, sobre sentimentos esquecidos, sobre mágoas e desencontros…acho que há músicas demais sobre isso…

Acho que é hora de fazer uma canção…uma canção para quem realmente importa.