Sexta-feira

Era sexta-feira. O relógio marcava 8h. Eu tinha que ir trabalhar. Mas…onde estavam minhas forças e o animo para ir? Nem eu sei dizer. Decepção era meu segundo nome naquela sexta.

Decepção, porque você espera que as coisas (e as pessoas) serão melhores, serão…diferentes. Especialmente quando elas já te conhecem a algum tempo…e sabem por tudo o que você passou, e aí você pensa “Vai ser diferente.” Então, quando você menos espera, toma uma rasteira e percebe que vai ser igual a tudo o que já viu antes, e antes, e antes.

Mas tudo bem, vida que segue. É preciso continuar caminhando. “Keep walking” como dira a familia Walker. rs.

Fui trabalhar com o coração na boca. E preparada para o dia mais torturante que eu poderia ter…mas não foi. Naquele dia percebi que ao longo dos anos, e que em alguns meses, havia conquistados os melhores anjos da guarda que uma pessoa poderia sonhar em ter. E eles estavam lá pra mim. Me aturando, me confortando e me ouvindo.

Percebi que eu tinha ao meu lado, algumas daquelas pessoas que quando você disser “Eu estou bem.” Elas te abraçarão forte e dirão “Eu sei que você não está.”. E aquele sexta foi melhor que a encomenda. Eu chorei, gritei e no final eu ri. Eu ri…

E embora a certeza de que eu nunca deveria ter voltado ainda esteja ecoando forte na alma…são essas pessoas que fazem minimamente valer a pena, e que fazem ser suportável, estar aqui…

Segunda feira começa tudo de novo…vamor ver o que será.

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Eu nunca devia ter voltado…

Esse texto está “morando” na área de rascunhos desse meu blog a mais de 4 meses. Intacto, não é nenhuma obra prima…já vou avisando. O mais engraçado, é que desde o momento que o escrevi, eu sabia que chegaria um momento em que eu deveria publicá-lo. Porque escrever é a única coisa que me restou, é a única coisa que ninguém pode me roubar até agora.

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04/06/11

Chovia muito desde que olhei para tras pela última vez. Aquela parecia a decisão certa a tomar. A muito tempo  cansei de me preocupar com a opinião dos outros e desisti de me fazer entender a qualquer custo.Alguém precisava de mim. E então eu voltei. Aqui nessa cidade onde tudo começou aprendi que  tempo nem sempre cura todas as feridas e que a dor nem sempre fortalece, mas está lá pra te lembrar de algo importante (para o bem ou para o mal).  Quando me perguntam por quê  voltei. Simplesmente respondo: Voltei porque eu tinha que voltar.

Percebi que tudo continuava extamente da mesma forma como eu havia deixado antes de partir. Nada mudou…nem os lugares, nem as pessoas, nem os caminhos. Tudo continuava exatamente igual. E aí nasceu uma pontinha de esperança, tola, de que as coisas seriam diferentes dessa vez. Tola…no fundo, alguma coisa me dizia: Tudo acontece aqui. Você nunca devia ter voltado. Eu fingi que não ouvi e tomei a pior decisão que pude naquelo momento: eu decidi ficar.

E quando tudo parecia bem, começou a tempestade. E bateu forte no peito aquela vontade imensa de fugir e deixar tudo pra trás, era a decisão mais fácil a se tomar. Mas eu persisti. Fiquei. Ainda acreditava que tudo poderia ser diferente nessa cidade. Ingênua. Falar já não era suficiente, acreditar não era mais suficiente. E então, um amigo me disse certa vez que eu deveria voltar a escrever minhas canções. Bem,  eu estou cheia delas na minha cabeça, mas para que escrever, se quem eu preciso que as escute, nunca as ouvirá?

Eu queria sumir por um tempo, organizar as idéias, e os sentimentos, colocar tudo no lugar, a casa anda meio bagunçada, mas a culpa é toda minha mesmo…por hora não vai dar, há muita  coisa a ser feita, e eu nunca deixarei aqueles que contam comigo na mão…

A única certeza que me restou?

Eu nunca devia ter voltado…