Bagunçado

Tudo  anda meio bagunçando por aqui. A gente acha que colocar as coisas lá dentro do armário e esquecer delas resolve tudo, mas não resolve. Por que quando você abre o armário, toda aquela bagunça cai sobre você feito uma avalanche de lembranças, mágoas, erros, utopias ,  sentimentos e tudo mais que você tenha guardado ali para esquecer. Não dá pra fugir. A vida sempre fará questão de te (re)lembrar de tudo isso em algum momento.

Não sei exatamente porquê. Mas hoje eu abri esse armário e tinha muito mais coisa lá do que eu me recordava. Não sabia que havia guardado tantas coisas. E agora o que faço com tudo isso? Não sei nem por onde começar. Minha vontade era deixar tudo bagunçado como está. Mas eu sei que se eu fizer isso alguém vai acabar tropeçando ou esbarrando onde não deve. Alguém vai acabar guardando algo no lugar errado. Alguém vai acabar levando algo que não lhe pertence…alguém vai acabar se ferindo num caco de vidro espalhado pelo chão.

É hora de arrumar a casa, cada coisa em seu devido lugar…

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Espera

Algo está errado…parece faltar certeza do que foi, do que é e do que será.
Falta muita coisa, mas ao mesmo tempo não falta nada.
Está tudo ali. Tudo em seu lugar. Tudo o que queria. Tudo o que conquistou.
Todos os amigos, a família e os amores.
Todos os sonhos…
Enfim realizados.

Mas ainda assim o simples ato de respirar se tornou algo tão dificil
Que beira ao sufocante.
E no seu intimo sabe
Que não há tempestade sem estragos.

E assim, busca em cada olhar, cada abraço
Um abrigo.
Para as mudanças que virão, sem pedir licensa.

E espera em cada aperto de mão
Aquele que vai lhe segurar firme
Quando lhe faltar o chão sob os pés.

E espera em cada palavra
Um conforto
Para as perdas que o tempo trará
Sem qualquer aviso prévio.

E espera em cada gesto
O alento
Para os momentos de incerteza cruéis
Que surgirão

Mas também espera em cada sorriso
A calmaria
Que vem depois de toda tempestade
E que cicratiza a alma
Apesar de todos os estragos.

Eu sabia…

Eu olhei pra ele. E eu sabia…

Algumas coisas não existem explicações. Você pode procurar o quanto quiser. Não encontrará. Eu aprendi isso cedo, é bom, mas as vezes gostaria de não saber. Por quê? Porque quando as coisas dão errado, quem irá me dizer “Eu te avisei” serei eu mesma. Errar é humano. Persistir no erro, é burrice. E daí dá aquela raiva interior do tipo “porque eu fiz/deixei acontecer isso se eu sabia onde iria terminar?” E alguém vai me dizer, “você não tinha como adivinhar” e “não é sua culpa.” É sim. Quando a gente sabe exatamente onde está se metendo, ainda que não saiba explicar como.

Eu olhei pra ele. E eu sabia…

Nada seria como antes. Talvez eu vá ficar feliz, talvez eu vá me arrepender amargamente. Talvez eu esteja escrevendo aqui, pra amanhã ou depois (ou quem sabe daqui a alguns anos) eu lhes conte o que aconteceu. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho essa sensação de que tudo está mudando…e que eu serei atingida quando todas essas mudanças chegarem, quando todas as máscara caírem e todos estarem em seus devidos lugares…

Eu olhei pra ele. E eu sabia… que de alguma forma ele irá mudar minha vida para sempre. Se de uma maneira boa ou ruim, eu não sei. Também não sei quando será. Apenas sei que irá…

Irá mudar tudo o que eu conheço…

Uma canção para…

O tempo parece congelado, um turbilhão de pensamentos e lembranças na cabeça…e uma vontade imensa de escrever uma canção…mas faz tanto tempo que não faço isso…acho que já perdi o jeito…esqueci alguns versos, os perdi no vento, no tempo e na alma.

Acho que falta um pouco daquele sentimento que enche todas as músicas…e que você não sabe ao certo descrever qual é. Apenas consegue senti-los em cada nota, na melodia e na voz de quem canta. Fico cantarolando pequenos versos de músicas perdidas na alma. De onde elas vem, para onde elas vão…para quem elas são…

Vou escrever uma canção para aliviar a mente e o coração…não dá pra ficar com tudo isso guardado, mas também não adianta escrevê-las e engavetá-las e… bem…essa é minha especialidade a um bom tempo…talvez seja hora de cantá-las.

Acho que é hora de fazer uma canção…cansei de ouvir aquelas velhas músicas sobre aqueles que partiram, sobre sentimentos esquecidos, sobre mágoas e desencontros…acho que há músicas demais sobre isso…

Acho que é hora de fazer uma canção…uma canção para quem realmente importa.

Um sintoma. Uma bula. Um remédio…

Eu não tava muito bem hoje. Pensei que pudesse ser alguma coisa. Talvez um pouco doente. Tinha uma bula lá na minha gaveta, mas deixei lá, como um sentimento que a gente guarda num canto bem escondido pra não lembrar que aquilo existe, até chegar a hora certa de lembrar  que está lá de alguma forma.

Daí uma das amigas liga no final do dia pra saber porque eu estava em um determinado lugar quando eu estava simplesmente voltando pra casa…o melhor é que ela não acreditava e insistia…então me dei conta que não sou a única que ando por aí vendo meus amigos e amigas por todos os cantos da cidade. Lembro de uma vez numa pizzaria em que abracei uma menina e perguntei como ela estava, crente que era uma amiga minha que eu não via a tempos!! Levei uns cinco minutos pra perceber que não era ela. Sim, CINCO minutos! [risos] Dá pra acreditar?

Isso é um sintoma, de que a vida anda corrida demais para que possamos dar atenção aquilo que realmente importa. A vida passa rápido demais e se não nos dermos conta e tomarmos cuidados, a gente perde muita coisa pelo caminho porque não soubemos aproveitá-las…Falta tempo pra ver os amigos como gostaríamos, tempo pra dar muitas risadas e muitos abraços. Se é pra ter rugas, que seja de tanto rir com os amigos e com a família. Ficar velho sem ter vivido é o pior dos castigos.

Sabe aquela bula lá na minha gaveta? Hoje eu peguei para ler e tinha minha letra, era um papel meio velho, meio amassado, meio amarelo que dizia: “veja mais os amigos, ria mais, ame mais, abrace mais, seja feliz.” Não lembro quando escrevi…mas acho que eu já pressentia que quando esse sintoma chegasse, embora ele não tenha uma cura definitiva e permanente, eu só iria precisar de uma bula e um remédio.

E qual é sintoma? Bem, acho que a essa altura você já deve ter descoberto…se chama SAUDADE.

O Mar

Vira e mexe somos atingidos por uma ou outra tempestade daquelas que fazem a gente ter dúvida de tudo, inclusive de nós mesmos. E isso traz uma inquietação que parece não ter fim. É dia, e o mar parece estar bem inquieto. Sinal de que algumas tempestades estão a caminho…

Outrora eu teria medo dessas tempestades, hoje sinto apenas aquele leve desconforto que vem com os ventos muito fortes que elas trazem. O medo parece ter ficado no seu devido lugar: enterrado bem fundo na areia sob os meus pés. O mar já faz parte da minha natureza, estar com ele e perto dele, é como estar em casa. A tempestade é só uma mudança inconstante e temporária. Vai passar.

Eu sou como a água. A Água fascina, mas também apresenta seus perigos…uma hora, esse mar no meu coração se acalma.

Um dia todas as coisas se desfazem…

Hoje estava pensando sobre como em algum momento da vida paramos e procuramos nas memórias e nas mais ternas lembranças alguma coisas que possamos intitular como “Isso eu vou contar para os meus netos”. Não é exatamente algo que nos orgulhe, as vezes até é, mas na maioria das vezes é algo que nos tenha feito bem e apenas isso. Alguma coisa que tenha nos dado aquela felicidade sutil, simples e gostosa pelo simples fato de estarmos perto, de termos participado daquele momento, de termos vivido. Tão sutil e simples que só muito depois percebemos que aquilo se chamava felicidade.

Me dei conta de que encontrei uma dessas coisas, algo que vai me marcar pra sempre…e já faz alguns meses, mas foi tão sutil que só  hoje, na eminência de iniciar um novo trabalho ao lado dessas pessoas tão bacanas, que me dei conta disso. Não é mais um trabalho, nem mais uma diversão. Não é simplesmente SENTAR com pessoas que querem realizar “algo“, é ESTAR com essas pessoas para realizar um sonho. É algo que vou ter orgulho de contar não só para os meus netos, mais para TODO MUNDO. [risos]

Daí vem aquela sensação que não existem palavras para explicar exatamente como, quando e porquê, a gente apenas sente e fica feliz e fica pensando e fica triste só em saber em como será quando não existir mais. A gente vai ficar lembrando e rindo sozinhos como bobos. Eu sei que um dia todas as coisas se desfazem, mas quando a gente encontra a felicidade, nada disso importa mais.